segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Se eu morresse amanhã...


Se eu morresse amanhã, seria bem grande minha dor
Findaria os meus sonhos... ilusões e amor.
Se eu morresse amanhã... importaria o hoje?
Faria mais falta o ontem e cada momento que passou.
Se eu morresse amanhã não veria seus sorrisos
Não ouviria sua voz... tão doce a me embalar.
Ah! Se eu morresse amanhã... perderia seus abraços
Suas mãos entre as minhas... sua presença enfim.
O que seria mais triste se eu morresse amanhã?
Não ter sentido seus lábios, num doce beijo roubado!
Se eu morresse amanhã... o que levaria comigo?
Projetos não realizados... erros... vícios... pecados!
Se eu morresse amanhã, o tempo voltaria atrás?
Para estarmos juntos outra vez, sem perdê-lo jamais?
Onde o filho desejado... se eu morresse amanhã?
Onde o olhar mais ousado... se eu morresse amanhã?
Por Deus! O que seria de mim?
Relembraria minha vida? Analisaria meus gestos?
Te escreveria estes versos?
Ah! Se eu morresse amanhã...
Voltaria no tempo... mesmo que em pensamento
Te cobriria de beijos... carinhos...
Te envolveria em meus braços.
Se eu morresse amanhã...
A única certeza a ficar
Seria você em meus dias
Como a mais bela poesia
A me acompanhar!

(Desconheço o autor...)

http://letras.mus.br/rise-against/1846332/traducao.html

http://letras.mus.br/the-script/1746085/traducao.html

Bon Jovi... I´ll Be There For You

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Scorpions... Always Somewhere


...Another morning another place
The only day off is far away
But every city has seen me in the end
And brings me to you again

Always somewhere
Miss you where I've been
I'll be back to love you again...


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O Chamado das Pedras... Cora Coralina


A estrada está deserta.
Vou caminhando sozinha.

Ninguém me espera no caminho.
Ninguém acende a luz.
A velha candeia de azeite
de lá muito se apagou.

Tudo deserto.
A longa caminhada.
A longa noite escura.
Ninguém me estende a mão.
E as mãos atiram pedras.
Sozinha...

Errada a estrada.
No frio, no escuro, no abandono.
Tateio em volta e procuro a luz.
Meus olhos estão fechados.
Meus olhos estão cegos.
Vêm do passado.

Num bramido de dor.
Num espasmo de agonia
Ouço um vagido de criança.
É meu filho que acaba de nascer.

Sozinha...
Na estrada deserta,
Sempre a procurar
o perdido tempo que ficou pra trás.

Do perdido tempo.
Do passado tempo
escuto a voz das pedras:

Volta...Volta...Volta...
E os morros abriam para mim
Imensos braços vegetais.

E os sinos das igrejas
Que ouvia na distância
Diziam: Vem... Vem... Vem...

E as rolinhas fogo-pagou
Das velhas cumeeiras:
Porque não voltou...
Porque não voltou...
E a água do rio que corria
Chamava...chamava...

Vestida de cabelos brancos
Voltei sozinha à velha casa deserta...



************

- Cora Coralina, "Meu Livro de Cordel", 8°ed., 1998.

Foto: do livro "Cora Coralina - Coração do Brasil", pág. 13 - Museu da Língua Portuguesa. São Paulo, 2009. [Acervo do Museu Casa Cora Coralina].
___
Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (20 de agosto de 1889 - 10 de abril de 1985). Conheça a história e outros poemas de Cora Coralina no Blog: http://elfikurten.blogspot.com.br/2011/12/cora-coralina-venho-do-seculo-passado-e.html

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Nana Caymmi - Resposta ao Tempo


Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento

Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei

Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há fôlhas no meu coração
É o tempo

Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei

E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Zélia Dunca - Os Imorais


Os imorais
Falam de nós
Do nosso gosto
Nosso encontro
Da nossa voz

Os imorais
se chocam
por nós
Por nosso brilho
Nosso estilo
Nossos lençóis

Mas um dia, eu sei
A casa cai
E então
A moral da história
Vai estar sempre na glória
De fazermos o que nos satisfaz...

Os imorais
Falam de nós
Do nosso gosto
Nosso encontro
Da nossa voz

Os imorais
sorriram pra nós
Fingiram trégua
Fizeram média
Venderam paz

Mas um dia, eu sei
A casa cai
E então
A moral da história
Vai estar sempre na glória
De fazermos o que nos satisfaz

sábado, 1 de dezembro de 2012

Cássia Eller - Socorro...


Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva

Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Lulo Scroback - Cartas


E no final das contas digo que não foi nada
Ao chegar ao pôr-do-sol, chegar ao fim da estrada
E no final das contas a palavra é nada
Desligo o sol e ligo a lua, fim dessa jornada

E acredito que já não te amo mais
(AMO SIM... MAS QUE NUNCA!!)
mesmo que esqueça (JAMAIS!) e sei que sou capaz
tudo agora não depende mais de mim
melhor pros dois, melhor que seja assim

tudo o que não quebrou
entre eu e você
tudo o que ficou
jamais vou esquecer
entre as histórias
e a vontade de te ver
entre tantas pedras, 
a jóia era você

Abro então as cartas
vejo tudo o que passou
acho as respostas
pro final do nosso amor

abro e fecho as portas
tudo em volta é solidão
volto sem respostas
vou seguir meu coração

tudo arrumado
tudo desfeito
tudo guardado
tudo sem jeito

tudo errado
tudo direito
só nosso amor
era perfeito

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

"É o que me interessa..."



"Na convivência, o tempo não importa.
Se for um minuto, uma hora, uma vida.
O que importa é o que ficou deste minuto,
desta hora… desta vida…” 

Mario Quintana



quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Anjo Guerreiro...



"Um dia eu estava andando meio sem rumo... Um vazio enorme no coração... Sem acreditar que algo pudesse mudar... E de repente vi ali, um anjo lindo... Prostrado, caído, cabisbaixo, sofrido, doído, atormentado, triste, magoado e perdido... Eu estendi minha mão... E ele a segurou...

Devagarinho fui me aproximando, me chegando, e quando consegui que me olhasse, foi como se eu tivesse lhe visto a alma no mar dos olhos... Suas lágrimas ainda não deixam que ele me veja e os encantos que guardei para o meu eleito... Ele não percebe o quanto meu coração de mulher quer lhe ofertar minha esperança de menina... Desistiu de sonhar, não acredita em mais nada... Pensa que pouco lhe resta, e desconfio que pensa, até, em desistir de existir... Não sabe o quanto isso faria sofrer quem verdadeiramente o ama?

Um dia eu lhe disse que era aquela que lhe daria as mãos até que ele pudesse encontrar a felicidade... E ele me entregou a chave da sua caixa de Pandora... 
E eu o tive... E ele me teve... Como nunca! Posso morrer a qualquer instante na certeza de ter experimentado o toque do paraíso...

Eu já pensei em me arrepender, mas isso é um erro... o que vale não é um monte de instantes vazios mas sim um átimo de segundo pleno... Desde então escolhi não abrir mão do que me faz feliz...
Por que não desisto meu anjo? Porque você vale a pena... Porque quando o coração pleno de um amor incondicional comanda, ele não tem medo dos erros que cometemos quando das  tentativas... Não importa que eu ouça os seus nãos ou os seus silêncios repletos de nãos... Importa que eu faça o que meu coração quer... E ele não quer que eu desista... Desistir do meu anjo... Seria como desistir de mim... Se alguém tiver que soltar das mãos entrelaçadas, que você o faça... Pois eu não o farei... A não ser que seja para soltar da sua mão para que a felicidade ocupe meu lugar na sua vida... E então eu irei... Mas feliz, porque você estará feliz... E eu lhe devolverei a sua chavezinha, também... Não quero nada do que não seja, de fato, para mim...

Isso? Não tem como explicar... Somente posso dizer: é amor... Simples assim...

Só tenho um pedido: Não desista!!! Não se entregue!!! Deixe que o guerreiro que há em você comande a sua vida, porque esse guerreiro é forte e persistente e está fadado à vitória... Não desista da batalha de sonhar e ser feliz... Não seja um desertor de si mesmo... A guerra não está perdida... Acredite... TUDO QUE TIVER QUE SER SERÁ... Hoje, amanhã, daqui um ano, dois, dez, séculos... Será... 

A pureza do verdadeiro amor tudo releva, tudo perdoa, não guarda rancor ou ódio, apenas perdoa quando é verdadeiro o arrependimento pelo erro e a ação para a reparação do mesmo... Não há  "senões" e nem "poréns" no perdão de quem verdadeiramente ama... 
Não desista  sobretudo - de amar-se... Não desista de si próprio, nunca... Você, assim como eu, somos seres únicos, temos nossa beleza e mesmo com todos nossos erros e imperfeições merecemos amar, sermos amados e encontrarmos a paz!"

Desconheço o autor...


Um "átimo" de tempo pode valer por uma eternidade...


Minh' alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver
pois que tu és já toda minha vida

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo,  meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história, tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."

Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina, fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:

"Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como um deus: princípio e fim!...

Eu já te falei de tudo, 
mas tudo isso é pouco,
diante do que sinto....

Grande Florbela Espanca!!! 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Lulo Scroback - Tudo Passa


Com Fúria e RaivaCom fúria e raiva acuso o demagogo 
E o seu capitalismo das palavras 

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada 
Que de longe muito longe um povo a trouxe 
E nela pôs sua alma confiada 

De longe muito longe desde o início 
O homem soube de si pela palavra 
E nomeou a pedra a flor a água 
E tudo emergiu porque ele disse 

Com fúria e raiva acuso o demagogo 
Que se promove à sombra da palavra 
E da palavra faz poder e jogo 
E transforma as palavras em moeda 
Como se fez com o trigo e com a terra 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O RAPPA - Súplica Cearense


Oh! Meu Deus,
Se eu não rezei direito,
A culpa é do sujeito,
Desse pobre que nem sabe fazer a oração...


Oh! Deus,
Perdoe esse pobre coitado,
Que de joelhos rezou um bocado,
Pedindo pra chuva cair,
Cair sem parar.

Oh! Deus,
Será que o senhor se zangou,
E é só por isso que o sol se arretirou,
Fazendo cair toda chuva que há.

Oh! Senhor,
Pedi pro sol se esconder um pouquinho,
Pedi pra chover,
Mas chover de mansinho,
Pra ver se nascia uma planta,
Uma planta no chão.

Oh! Meu Deus,
Se eu não rezei direito,
A culpa é do sujeito,
Desse pobre que nem sabe fazer a oração.

Meu Deus,
Perdoe encher meus olhos d'água,
E ter-lhe pedido cheio de mágoa,
Pro sol inclemente,
Se arretirar, retirar.

Desculpe, pedir a toda hora,
Pra chegar o inverno e agora,
O inferno queima o meu humilde Ceará.

Oh! Senhor,
Pedi pro sol se esconder um pouquinho,
Pedi pra chover,
Mas chover de mansinho,
Pra ver se nascia uma planta no chão,
Planta no chão.

Violência demais,
Chuva não tem mais,
Roubo demais,
Política demais,
Tristeza demais.
O interesse tem demais!

Violência demais,
Fome demais,
Falta demais,
Promessa demais,
Seca demais,
Chuva não tem mais!

Lá no céu demais,
Chuva tem,
Tem, tem, não tem,
E quando tem,
É demais.

Pobreza demais,
Como tem demais!(Falta demais),
É demais,
Chuva não tem mais,
Seca demais,
Roubo demais,
Povo sofre demais.
Oh! demais.

Oh! Deus.
Oh! Deus.
Só se tiver Deus.
Oh! Deus.
Oh! fome.
Oh! interesse demais,
Falta demais...!
********
Que música mais linda... Mais linda... Linda...

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Skank - Canção Noturna


Não sei por que...
Mas vejo o seu olhar...
O mar de seus olhos, de seu olhar...

:'(

Espalhe por aí, boatos de que eu ficarei aqui...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Klaus Maine (Scorpions)... Maybe I, Maybe You


Show essa música...
Amo Klaus Maine cantando... Amo Scorpions...
Mas fico imaginando essa música na voz e interpretação do
grande Freddie Mercury !!!!  hehe



hahaha eu fico assim!!! :P

domingo, 23 de setembro de 2012

Scorpions: Love Will Keep Us Alive


"Eu gosto de olhos que sorriem,
de gestos que se desculpam,
de toques que sabem conversar
e de silêncios que se declaram."

Machado de Assis

sábado, 22 de setembro de 2012

Rubem Braga: Não Ameis à Distancia...



Não ameis à Distância...

Em uma cidade há um milhão e meio de pessoas, em outra há outros milhões; e as cidades são tão longe uma da outra que nesta é verão quando naquela é inverno. Em cada uma dessas cidades há uma pessoa, e essas pessoas tão distantes acaso pensareis que podem cultivar em segredo, como plantinha de estufa, um amor a distância?

Andam em ruas tão diferentes e passam o dia falando línguas diversas; cada uma tem em torno de si uma presença constante e inumerável de olhos, vozes, notícias. Não se telefonam mais; é tão caro e demorado e tão ruim e além disso, que se diriam? Escrevem-se. Mas uma carta leva dias para chegar; ainda que venha vibrando, cálida, cheia de sentimento, quem sabe se no momento em que é lida já não poderia ter sido escrita? A carta não diz o que a outra pessoa está sentindo, diz o que sentiu a semana passada... e as semanas passam de maneira assustadora os domingos se precipitam mal começam as noites de sábado, as segundas retornam com veemência gritando - "outra semana!" e as quartas já tem um gosto de sexta, e o abril de de-já-hoje é mudado em agosto...

Sim, há uma frase na carta cheia de calor, cheia de luz; mas a vida presente é traiçoeira e os astrônomos não dizem que muitas vez ficamos como patetas a ver uma linda estrela jurando pela sua existência - e no entanto há séculos ela se apagou na escuridão do caos, sua luz é que custou a fazer a viagem? Direis que não importa a estrela em si mesma, e sim a luz que ela nos manda; e eu vos direi: amai para entendê-las!

Ao que ama o que lhe importa não é a luz nem o som, é a própria pessoa amada mesma, o seu vero cabelo, e o vero pêlo, o osso de seu joelho, sua terna e úmida presença carnal, o imediato calor; é o de hoje, o agora, o aqui - e isso não há.

Então a outra pessoa vira retratinho no bolso, borboleta perdida no ar, brisa que a testa recebe na esquina, tudo o que for eco, sombra, imagem, um pequeno fantasma, e nada mais. 

E a vida de todo dia vai gastando insensivelmente a outra pessoa, hoje lhe tira um modesto fio de cabelo, amanhã apenas passa a unha de leve fazendo um traço branco na sua coxa queimada pelo sol, de súbito a outra pessoa entra em fading um sábado inteiro, está-se gastando, perdendo seu poder emissor a distância.

Cuidai amar uma pessoa, e ao fim vosso amor é um maço de cartas e fotografias no fundo de uma gaveta que se abre cada vez menos...
Não ameis a distância, não ameis, não ameis!

Rubem Braga

(A Música "Na Primeira Manhã", foi uma homenagem de Alceu Valença ao Rubem Braga...)